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9.10.12

A história do hip hop.







O Inicio

O hip hop surgiu na segunda metade do século XX no gueto do Bronx ,em Nova York. O avanço tecnológico e a ascensão de grandes corporações nessa região foram responsáveis pela decadência das fábricas que empregavam milhares de operários. Essa realidade exigiu mão-de-obra especializada uma vez que as corporações precisavam de ferramentas de trabalho ais elaboradas. Além disso, diversos seg


mentos da indústria reduziram o número de funcionários, substituindo por máquinas.

Os negros e os hispânicos, por não disporem de preparo profissional e recursos financeiros para aprimoramentos técnicos foram os mais atingidos. Muitos foram despedidos e outros tantos excluídos do mercado de trabalho. Ao mesmo tempo, o governo americano cortou os recursos financeiros para fins sociais. As construtoras investiram em condomínios de luxo, comprando e demolindo os imóveis velhos das classes operárias. A área residencial popular foi reduzida.

A região do Bronx foi uma das mais antigas devido a um projeto urbano que visava reformular a cidade de Nova York com construções de rodovias, áreas residenciais e parques. Um dos projetos de maior impacto foi a construção da Cross-Bronx-Expressway, via expressa que cortou ao meio a área com maior concentração de operários do Bronx (Rose,1997).

A desvalorização dos imóveis por onde a via expressa passou fez com que alguns proprietários os vendessem a preços abaixo do mercado, ou que os incendiassem propositalmente para receber o seguro. Foi inevitável uma debandada abrupta da população para outras regiões. Não houve um planejamento para tranferi-las gradualmente para um outro espaço com infra-estrutura. O resultado foi uma superpopulação nas áreas periféricas do Bronx. Para os negros e hispânicos restou o resto da região sul do bairro sem infra-estrutura adequada ou residências suficientes para a demanda. Sem espaços para laser, escolas e trabalho, a população que lutava para sobreviver em meio ao caos se revoltou.

Essa realidade acentuou as diferenças sociais, elevou a discriminação racial e favoreceu o acesso á criminalidade e as drogas. Isso propiciou a formação de gangues que começaram a guerrear entre si, instalando-se uma batalha sangrenta no sul do Bronx.

Como contraponto aos roubos, ao tráfico, á violência e a miséria, jovens artistas promoviam festas comunitárias nas ruas para se descontraírem. Nesse contexto, as expressões artísticas como a dança, a música e o graffiti passaram a constituir-se em uma alternativa de vida dentro do gueto do Bronx. Por meio dessas expressões os jovens ocupavam o tempo ocioso, divertiam-se, aprimoravam suas habilidades, compunham novas formas de se expressar e criavam um jeito próprio de sobreviver.

Começaram então a organizar campeonatos-batalhas artísticas-cujos prêmios iam desde comida, roupas, tênis, bonés ou mochilas até o aumento de território liderado por cada gangue. As provas eram vencidas por quem conseguisse fazer as melhores performances no break, compor o graffiti mais representativo, ganhar os créditos das melhores rimas e desenvolver a melhor manobra junto aos toca - discos.

A gangue ou os jovens que eram vencidos nas batalhas treinava e desenvolvia novas técnicas em suas modalidades, para, na festa seguinte, competir novamente e recuperar a liderança. Para essas batalhas, as gangues se produziam visualmente, vestiam-se com roupas largas e coloridas, usavam adereços como os bonés e correntes, deixavam o cabelo black power.

O hip hop começou a se fortalecer e a estabelecer ligação entre os elementos artísticos e o estilo de ser hip hoppers. Muitos grafiteiros, pintavam murais que prestigiavam as letras dos MCs. Os MCs e DJs usavam camisetas e jaquetas pintadas pelos grafiteiros. Os dançarinos de break animavam as festas e faziam suas performances ao som dos toca-discos dos Djs. As festas de hip hop tornavam-se um entretenimento fundamentado em todas suas expressões artísticas.

As batalhas artísticas, juntamente com o estilo próprio de se vestir e de existir, foram elementos norteadores para que o hip hop buscasse a autovalorização dos jovens negros americanos. Nesse sentido, mais que diversão e moda, o hip hop constitui-se em um movimento anti-violência, antidrogas e antiexclusão. Lutava pela ascendência do negro que estava em uma situação de exclusão econômica, educacional e racial. Através de atividades culturais e artísticas, buscava refletir e transformar a realidade em que viviam.

As artes possibilitavam atitudes frente á situação socioeconômica. Proporcionavam status e aumentavam a estima da população negra, encorajando-a a sair dos guetos e ir ao centro de Nova York-além transformar os guetos em espaços comunitários livres. Os jovens faziam murais e logos grafitados em caminhões e parques. Pintavam os trens durante a noite, quando estavam estacionados dentro dos túneis, para que pela manhã pudessem desfilar pelos trilhos levando a mensagem do gueto. Os dançarinos elegiam as ruas e esquinas do centro para palco das habilidades corporais do break. Os Djs montavam seus equipamentos de som nas calçadas e usavam energia dos postes de luz para suas sonorizações; enquanto que os Mcs contavam por meio de suas rimas as histórias vividas nos guetos.

Nesse sentido, o hip hop tornou-se ao mesmo tempo artístico, político e ideológico. Ele apresentou , por meio da arte, as experiências vividas na periferia mostrando o desemprego, os conflitos nas relações de poder, o preconceito social e racial, as condições de moradia, de saúde e de educação, a falta de perspectiva para o futuro, o narcotráfico e o crime. Além disso, e talvez mais importante que tornar públicas as necessidades da periferia, o hip hop permitiu á juventude negra sentir-se capaz de expor seus ideais e se orgulhar da sua origem e cultura.




“Antes de nos criticar... conheça um pouco da nossa cultura!”